O preço do petróleo é sempre político, por André Araújo
É a politica que, ao final do dia, determina o preço internacional do petróleo. São decisões politicas dos governos de países exportadores que controlam 60% do produto oferecido no mercado mundial, é através de decisões politicas e não com base no custo de produção que se estabelece o valor do barril de petróleo no mercado de commodities. Todo o processo de decisão é politico e não técnico como pretendem os fundamentalistas de mercado.
São os produtores que através da OPEP abrem ou fecham as válvulas para com isso manipular os preços no mercado spot, regulando a produção para maximizar o preço e cobrar o máximo possível dos países que dependem de petróleo, mas não produzem, o que não é o caso do Brasil.
No topo do mundo são POLITICOS que governam o setor do petróleo e não o mercado, que é uma plataforma reflexiva das decisões politicas na cúpula de Estados. Portanto, um grande País produtor e consumidor de petróleo, como é o Brasil, não pode se deixar manobrar pelo preço estipulado politicamente pela OPEP permitindo que este seja o guia de sua POLITICA INTERNA DE PREÇOS DE PETROLEO. É uma percepção muito pobre da realidade e da falta de uma noção elementar de funcionamento básico da economia porque, sendo um Pais grande produtor, o Brasil não é dependente do preço no mercado especulativo internacional para abastecer sua população como se fosse um Pais unicamente importador, tipo da Bélgica, Áustria ou Dinamarca. A lógica do mercado brasileiro é outra porque somos Pais produtor.
Como fio condutor de TODA a economia produtiva do País, a paralisação dos caminhoneiros mostrou que sem combustível o bloqueio do País é maior do que seria numa guerra civil ou numa ruptura politica de fim de regime. Com o movimento militar de 1964 se observou menos reflexos no cotidiano do Pais do que o movimento dos caminhoneiros de Maio de 2018.
Portanto a politica de preços dos combustíveis é MATERIA DE ESTADO e não de gerentões arrogantes tratados como “gênios” pela mídia, nada além de pequenos burocratas sem brilho que não tem a visão macro dos efeitos de suas ações em matéria tão crucial.
A INTERVENÇÃO DE GOVERNO NO MERCADO DE ENERGIA
O Governo dos Estados Unidos tem um Departamento de Energia com um orçamento de 30 bilhões de dólares e esse Governo mantém um ESTOQUE de 713,5 milhões de barris de petróleo de propriedade da Administração e não do mercado, guardado em cavernas no Texas e na Lousiana. Não existe maior AÇÃO DE INTERVENÇÃO do que essa, nos momentos de alta excessiva da cotação do petróleo o Departamento de Energia VENDE petróleo do seu estoque (Strategic Petroleum Reserve) para esfriar o mercado. O estoque de petróleo do Governo dos EUA vale a preços de hoje em torno de 40 bilhões de dólares, isso tem custo para o orçamento público, é capital empatado mas a consideração é POLITICA, é uma ação de governo, exatamente aquela que a Miriam Leitão condena para o Brasil, imagine o Estado intervir no mercado, mas é exatamente isso que faz o Governo dos EUA, para desalento dos neoliberais tabajaras da Rua Dias Ferreira que querem implantar à força suas ideias ao deitar receitas para os brasileiros mal usando exemplos de outros Países.